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Por: Horácio Murúa – Eng. QuÃmico – Ink Press do Brasil | Data de Publicação: 1/11/2007
A construção da imagem que transferiremos para o papel depende primordialmente de uma boa interação entre os três componentes responsáveis pela disponibilidade adequada de Toner para revelação da imagem latente formada pelo laser no cilindro fotocondutor orgânico (OPC). Se o Toner não estiver disponÃvel e carregado corretamente ele não “pulará†para revelar a imagem. Neste artigo procuramos discutir os fatores que auxiliam, ou atrapalham o perfeito “fornecimento†de toner para o OPC sob a ótica da tecnologia de revelação por “jumping†(pulos) patenteada pela CANON e hoje presente nos cartuchos mais importantes (HP).
Nos cursos de remanufatura de cartuchos de Toner da Ink Press, procuramos incentivar nossos alunos a enxergarem oportunidades de aprendizado nos defeitos que alguns cartuchos apresentam na impressão e a usarem estes erros para identificarem os possÃveis suspeitos (peças ou erros de montagem que podem ter causado este problema).
A resolução de um problema passa a ser um trabalho similar ao de um detetive, de inicio separamos os suspeitos e depois usando a lógica descartamos os inocentes e isolamos o culpado.
Por outro lado em toda boa estória de detetive sempre tem aquele que já nasceu com cara de suspeito, normalmente, o mordomo. Não poderia ser diferente, em nossa estória de reciclagem de toner; nossos detetives recicladores sempre cravam no boletim de ocorrência uma sentença quase unânime: A culpa é do cilindro OPC!.
| FIGURA 1.1 ESQUEMA GERAL |
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Do ponto de vista dos rolos magnéticos e das lâminas niveladoras, como sabemos que o próprio pó de toner é abrasivo e como constantemente a Lâmina estará pressionando o pó contra o rolo o desgaste das peças é grande e por isto está peça só poderá ser considerada confiável por apenas mais um ciclo (coisa que os remanufaturadores em geral nem levam em consideração). Mesmo considerando que tenha sido efetuado um processo cuidadoso de remanufatura, evitando riscos e marcas (bastante comuns na retirada do rolo magnético) uma peça reutilizada demonstrará seu nÃvel de desgaste apresentando inicialmente chapados ruins e perdas na escala de cinza, em resumo a perda da densidade da imagem ira aumentando gradativamente em relação direta com o desgaste da peça.
1. Rolo Magnético:
No ensaio a seguir procuramos relacionar o Tempo de Vida de um cartucho com a densidade da imagem equacionando assim a % de perda de imagem.
Considerando aceitável uma perda de densidade máxima de 5%, podemos ver na tabela que esta condição já é ultrapassada na segunda recarga. Por isso inferimos que a peça só é confiável por apenas mais um ciclo (e esta situação varia de cartucho a cartucho e pela forma de uso)
|
Perda da Densidade por Desgaste do Rolo Magnético | |||
|
Cartucho |
Tempo de Vida |
Densidade de Imagem |
% de Perda |
|
Novo |
0 |
1,38 |
0,00% |
|
0,5 |
1,375 |
0,36% | |
|
1a Recarga |
1 |
1,368 |
0,87% |
|
1,5 |
1,35 |
2,17% | |
|
2a Recarga |
2 |
1,325 |
3,99% |
|
2,5 |
1,3 |
5,80% | |
|
3a Recarga |
3 |
1,28 |
7,25% |
|
3,5 |
1,254 |
9,13% | |
|
4a Recarga |
4 |
1,24 |
10,14% |
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| Â |
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Para disponibilizar toner para a revelação da imagem latente, o Rolo magnético funciona como uma válvula dosadora que regula a “vazão†de pó com um limitador que é a nossa “Doctor blade†= Lâmina niveladora.
| FIGURA 1.4 - REVELAÇÃO |
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As partÃculas de toner atraÃdas pelo rolo revelador serão alinhadas e carregadas triboeletricamente com polaridade negativa pela Lâmina de nÃvel formando um “veludo†uniforme no qual será aplicado corrente continua superposta com uma corrente alternada.
A corrente continua aplicada é negativa e a corrente alternada varia de negativo a positivo. Quando a carga negativa do toner se confronta com o negativo da corrente continua somado ao negativo da corrente alternada, ele se afasta do rolo magnético, porém quando a corrente alternada varia para o positivo o toner será atraÃdo novamente para o rolo magnético.
Este “pipocar†permitirá a formação da nuvem de toner que revelará a imagem latente do OPC.
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O que alguns remanufaturadores negligenciam é o papel importante que cabe ao revestimento condutivo (tinta preta) do rolo do OPC, esta resina condutiva tem como função a redistribuição de cargas entre as partÃculas de diferentes tamanhos do toner fazendo que a imagem seja uniforme durante toda a vida do cartucho.
A tecnologia da CANON explica em sua patente 4,989,044 a importância deste revestimento. Trata-se de uma resina polimérica que contém grafite para torná-la condutiva
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| FIGURA 1.6 FUSÃO |
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que requer propriedades especificas de amolecimento e aderência. Não apenas o ponto de fusão é importante, mas também a taxa de fusão é crucial. Os toners de impressoras mais rápidas devem responder ao desafio de derreterem mais rapidamente de forma a evitarem o Cold ou Hot offsetting. Estas propriedades do toner são determinadas pelas resinas utilizadas em sua fabricação. Outro elemento que o formulador deverá levar em conta é a vazão do toner. Como este fluxo é pior na medida que menor é o tamanho das partÃculas, muitos dos cartuchos que usam toners microfino possuem alguma forma de agitador para ajudar o seu fluxo de pó.
Concluindo, partindo do pressuposto que a formulação seja equilibrada, talvez a etapa mais critica da fabricação seja a classificação granulométrica pois qualquer tipo de diferença no pó poderá levar ao aparecimento de fundos pretos.
3. Lâminas de NÃvel ou de medição (Doctor Blades):
As Lâminas niveladoras ou Doctor Blades (do inglês arcaico Doctor = medir) para cartuchos com rolo magnético como descritas na patente 4,458,627 são elementos limitadores estáticos com dureza de aproximadamente 70 graus Shore que aplicam uma pressão entre 0.4 e 40 gramas por centÃmetro. E é esta pressão exercida por esta lâmina estática sobre o toner que gira solidário com o rolo magnético que irá estabelecer a possibilidade do carregamento triboeletrico do toner ao mesmo tempo em que mantém uma camada uniforme de pó.
A composição dos materiais que compõem o toner e a lâmina determina a sua carga efetiva sendo possÃvel obter diferentes polaridades com matérias diferentes selecionados na serie triboeletrica , por exemplo:
Para carregar um toner composto de poliestireno, magnetita, ou outros com cargas de polaridade negativa podemos usar uma Doctor Blade composta de borracha de silicone, poliuretano, estireno-butadieno, etc.. Por outro lado polaridade positiva poderá ser obtida com uma lâmina composta de borracha etilenica-propilenica, borracha natural, borracha fluorada, policlorobutadieno, poliisopreno, etc..
Tendo carregado o toner, a lâmina completa a sua função e, o toner estará pronto para esperar a sua deposição no OPC.
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Cartuchos que usam toners não magnéticos necessitam de um rolo adicional e uma lâmina mais rÃgida para aumentarem o efeito de carregamento triboeletrico e muitas vezes apresentam um desgaste acelerado devido à formação de uma camada de toner colado na Lâmina, conhecido como TONER BUILD UP, remanufaturadores mais afoitos pensando que as lâminas rÃgidas de cartuchos não magnéticos (como os Lexmark) não se desgastam, à s vezes descuidam de sua limpeza chegando a criar imagens como a seguinte de um cartucho 230. Para evitar este problema recomendamos limpar o toner que estiver colado nestas laminas com um cotonete embebido em pouco de Acetona para em seguida passar um cotonete embebido em álcool isopropÃlico 99%.
O risco de termos Toner build Up aumenta proporcionalmente na medida em que diminui o tamanho médio de suas partÃculas.
Em 1997, pesquisadores do Fujitsu Laboratories Ltd realizaram um estudo sobre a aderência de toner nas lâminas limpadoras utilizando uma lâmina de aço inox pressionada numa pressão de 3,55 g/mm num rolo revelador de borracha nitrÃlica. Para este conjunto foi selecionado um toner com tamanho médio de partÃcula de 8 microns e foram efetuadas medições da quantidade de toner colado na Doctor blade.
Na experiência verificou-se que após 2 horas de operação já havia um deposito de 0,3 mm de toner na lâmina que foi se expandindo chegando em 16 horas à ponta da Lâmina ponto este cujo tamanho de deposito representava aproximadamente 1,1 mm a partir do qual a qualidade da impressão está comprometida e a lâmina exposta a danos. Os pesquisadores chamaram este ponto Pvu = Ponto de vida útil da Lâmina.
Talvez o ponto mais interessante deste trabalho foi a constatação da influência do tamanho das partÃculas de toner neste efeito:
Efetuando uma medição do toner inicialmente usado verificou-se que 3,5% de suas partÃculas eram menores a 2 microns, substituindo este toner por outro de tamanho médio igual (8 microns) porém, mais equilibrado (apenas 1,7% de partÃculas menores a 2 microns) o tempo que a expansão do toner colado à lâmina levou para atingir o Pvu aumentou para 128 horas ! Por isto, assim como havÃamos visto na competição de carregamento entre as partÃculas que provocava background, nunca podemos esquecer que a vida de nossas lâminas e cilindros depende também de uma criteriosa escolha do Toner.
4. Outros aspectos do conjunto revelador:
Como já vimos, o conjunto rolo magnético – toner – lâmina niveladora, possui um equilÃbrio critico e é causador de um sem número de falhas de reciclagem.
Não podemos esquecer, também que outras causas podem interferir também neste delicado equilÃbrio, tais como uma simples bucha plástica negligenciada (ou um tensor mal colocado (O PINO DA PLACA DO SEMI-EIXO DOS CARTUCHOS 8061 e 4127, A FAMOSA MOLINHA DO 2612 !) pode causar um “gap†diferente do adequado e gerar imagens de densidade incorreta.
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que fatalmente provocará o desgaste tanto no OPC como na lamina de limpeza e forçara a lamina niveladora que será entortada e conseqüentemente irá a perder sua função de nivelamento gerando imagens inadequadas.
5. Conclusão: Formando a Imagem Perfeita
O equilÃbrio necessário ao bom funcionamento do conjunto revelador é essencial à formação do objetivo de todos o recicladores que é a imagem perfeita e este equilÃbrio pode ser representado pela balança:
Cabe a nos, recicladores darmos o devido respeito pela influência que este conjunto tem na formação da imagem e procurarmos aprofundar o nosso conhecimento sobre seus componentes para extrairmos o máximo que cada um deles pode nos fornecer.
Eng. Horácio A. Murúa
Bibliografia:
1. Eng. Horácio A. Murúa – A influencia das lâminas no funcionamento e desgaste dos cartuchos de toner – Revista Reciclamais – Outubro 2004
2. Eng. Horácio A. Murúa – Erros de Montagem de Cartuchos – Revista Guia do Reciclador – Maio 2005
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4. Eng. Hernán Murúa – Teoria e Pratica da Reciclagem – Edições Inteligentes – 2004.
5. I.M. Hutchings - Tribology Friction and Wear of Engineering Materials – Hodder Headline Group – 1992.
6. Hirayama Naka – US Patent application 20030012585 – 2003.
7. Hosono, Nagao et others – US Patent 4,458,627 – 1984.
8. Hosono et al. – US Patent 4,356,245 – 1982.
9. Robert Meyer – Theory on Blade Cleaning – NIP 16 – 2000.
10. Silandra Bartlett - Manufacturing Toner Cartridges Goes One Step Further – Rochester Institute of Technology – 2003.
11. Kuniki Seino, Shizuo Yuge & Masao Uemura - Analysis on stick-slip behavior of Cleaning Blades – NIP 17 – 2001.
12. Lester Cornelius – OPC Wiper Blades Mag Rollers and wear – Recharger Magazine – 1996.
13. Lester Cornelius – Canon´s Toner Projection Development– Recharger Magazine – 1998.
14. D. A. Hays – Eletric Field Detachment of Charged Particles – Particles in Surface – 1988.
15. Michael Gaylord - The Elastic Urethane Doctor Blade – Recharger magazine – 1996.
16. M Ikeda et others - Toner Sticking on Doctor Blade in Non Magnetic Mono Component Development Systems – Recent Progress in Toner Technology – IS&T – 1997.
17. R. Palhares – Projeto de Instrumentação de Ensino F 809 – Instituto de FÃsica IFGW – Unicamp – 2002.
18. State of North Carolina Department of Administration – Specification 3610 H – 2004
19. Steven B. Michlin - Recovery Blade Performance Issues – Recharger Magazine – 2000.
20. David Geurts - OPC Surface Wear: Causes and Preventative Measures – Recharger Magazine – 2003.
21. Eng. Horácio Murúa – Reciclagem de Cartuchos de Toner – Apostila Modulo III – 2004
22. Eng. Horácio Murúa – Reciclagem de Cartuchos de Toner – Apostila Modulo IV – 2005